Prova do INPI 2014 – parte 2

24 Dec

Atendendo a novo pedido, hoje resolvo as questões 100 e 104 da prova do INPI 2014, realizada pelo Cespe.

100) Proposição Q:
Q: O tempo previsto em lei para a validade da patente de um software é longo, já que o desenvolvimento de um software não exige muito investimento ou não leva muito tempo.
A proposição Q é equivalente a “Se o desenvolvimento de um software não exige muito investimento ou não leva muito tempo, então o tempo previsto em lei para a validade da patente de um software é longo”

Resolução:

Quando temos “A, pois B”, estamos indicando que a ocorrência de B acarreta na de A. Ou seja, isso é o mesmo que:

$ B to A $

Outras maneiras de escrever a mesma coisa:

  • Se B ocorre, então A ocorre
  • A ocorre, pois B ocorre
  • Desde que B ocorre, A ocorre
  • B é condição suficiente para A
  • A é condição necessária para B
  • A ocorre, já que B ocorre

A proposição Q dada na questão é justamente o caso de um condicional. Nela, o trecho “o desenvolvimento de um software não exige muito investimento ou não leva muito tempo.” faz o papel do antecedente. E o trecho “O tempo previsto em lei para a validade da patente de um software é longo” faz o papel do consequente.

Só com isso já dava para responder a questão. Em todo caso, vamos à representação simbólica.
Dando nomes às proposições simples:

L: o tempo previsto em lei para a validade da patente de um software é longo.
I: o desenvolvimento de um software exige muito investimento.
T: o desenvolvimento de um software leva muito tempo.

Assim, a proposição Q fica:

Se [(o desenvolvimento de um software não exige muito investimento) ou (não leva muito tempo) ] , então [O tempo previsto em lei para a validade da patente de um software é longo]

Introduzindo as proposições:

Se ( não I ou não T), então (L)

O que finalmente nos leva à seguinte simbologia:

$ (neg I vee neg T) to L $

O item 100 descreveu corretamente a proposição. Item certo.


As proposições A, B e C listadas a seguir constituem as premissas de um argumento:

A: Se a proteção de inventores é estabelecida atribuindo-lhes o monopólio da exploração comercial da invenção por um período limitado de tempo, então o direito de requerer uma patente de invenção contribui para o progresso da ciência.

B: Se o direito de requerer uma patente de invenção é utilizado tão somente para prorrogar o monopólio de produtos meramente “maquiados”, aos quais nada efetivamente foi agregado, então esse direito não só não contribui para o progresso da ciência como também prejudica o mercado.

C: O direito de requerer uma patente de invenção, ou contribui para o progresso da ciência, ou prejudica o mercado, mas não ambos.

Tendo como referência essas premissas, em cada item de 101 a 105 é apresentada uma conclusão para o argumento. Julgue se a conclusão faz que a argumentação seja uma argumentação válida.

104) Se o direito de requerer uma patente de invenção for utilizado tão somente para prorrogar o monopólio de produtos meramente “maquiados”, aos quais nada efetivamente foi agregado, então esse direito contribui para o progresso da ciência.
Resolução: como a questão é bem direta, dá para resolver sem precisar sair batizando as proposições.

O item 104 pretende ser a conclusão de nosso argumento. Ele trabalha com o caso de uma patente que é utilizada apenas para prorrogar monopólio de produtos meramente maquiados. Vejam:

Se o direito de requerer uma patente de invenção for utilizado tão somente para prorrogar o monopólio de produtos meramente “maquiados”, aos quais nada efetivamente foi agregado, então esse direito contribui para o progresso da ciência.

Muito bem, vamos agora voltar às premissas para ver o que elas nos dizem nesse caso.

Quem trata do assunto é a premissa B. Ela nos diz que, neste caso, duas coisas ocorrem:

  • esse direito não contribui para o progresso da ciência
  • esse direito prejudica o mercado.

Ok, já sabemos então que, neste caso, o direito não contribui para o progresso da ciência.
E o que afirma a nossa conclusão? Afirma justamente o contrário, que contribui sim para o progresso da ciência.

Portanto, a conclusão não decorre das premissas. O argumento é inválido. ITEM ERRADO.
Se você preferir trabalhar com a simbologia lógica, a resolução seria assim:

M:  o direito de requerer uma patente de invenção é utilizado tão somente para prorrogar o monopólio de produtos meramente “maquiados”, aos quais nada efetivamente foi agregado
P: o direito de requerer uma patente de invenção contribui para o progresso da ciência
D: o direito de requerer uma patente de invenção prejudica o mercado
L:  proteção de inventores é estabelecida atribuindo-lhes o monopólio da exploração comercial da invenção por um período limitado de tempo.

As premissas ficam:

A: $ L to P$
B: $ M to (neg P wedge D) $
C: $ P underline{vee} D $

A conclusão é um condicional:

$ M to P$

Quando a conclusão é um condicional, podemos usar seu antecedente como premissa adicional. Assim, ganhamos a premissa M. A conclusão se restringe ao seu consequente (P).

Tendo a premissa adicional M, analisamos a segunda premissa:

$ M to (neg P wedge D) $

O antecedente é verdadeiro. Para que esta premissa seja verdadeira, seu consequente também deve ser verdadeiro. Logo:

$ (neg P wedge D) $

Essa conjunção só é verdadeira se suas duas parcelas também forem V:
$ neg P $: é verdadeiro

Logo, $ P $ é falso

Nossa conclusão afirma justamente o contrário, ou seja, afirma que P é verdadeiro. Logo, a conclusão não decorre das premissas.

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